Gauss-Jordan, Sistemas Homogêneos e Posto
Universidade Federal do Pará
Definição
Uma matriz está na forma escalonada reduzida (reduced row echelon form) quando, além de estar na forma escalonada:
Exemplo: \[ \left[\begin{array}{ccc|c}1&0&0&1\\0&1&0&2\\0&0&1&3\end{array}\right] \]
Partimos da forma escalonada já obtida para \(\begin{cases}x+y+z=6\\2x-y+z=3\\x+2y-z=2\end{cases}\):
\[ \left[\begin{array}{ccc|c}1&1&1&6\\0&1&-2&-4\\0&0&-7&-21\end{array}\right] \]
Passo 1 — normalizar o último pivô: \(L_3 \to -\tfrac17 L_3\)
\[ \left[\begin{array}{ccc|c}1&1&1&6\\0&1&-2&-4\\0&0&-7&-21\end{array}\right] \ \longrightarrow\ \left[\begin{array}{ccc|c}1&1&1&6\\0&1&-2&-4\\0&0&1&3\end{array}\right] \]
Passo 2 — eliminar a coluna de \(z\) acima do pivô: \(L_2 \to L_2+2L_3\), \(\ L_1 \to L_1-L_3\)
\[ \left[\begin{array}{ccc|c}1&1&1&6\\0&1&-2&-4\\0&0&1&3\end{array}\right] \ \longrightarrow\ \left[\begin{array}{ccc|c}1&1&0&3\\0&1&0&2\\0&0&1&3\end{array}\right] \]
Passo 3 — eliminar a coluna de \(y\) acima do pivô: \(L_1 \to L_1-L_2\)
\[ \left[\begin{array}{ccc|c}1&1&0&3\\0&1&0&2\\0&0&1&3\end{array}\right] \ \longrightarrow\ \left[\begin{array}{ccc|c}1&0&0&1\\0&1&0&2\\0&0&1&3\end{array}\right] \]
\[\boxed{(x,y,z)=(1,2,3)}\]
Mesmo resultado da retro-substituição (Aula 3) — mas aqui a solução aparece diretamente, sem substituições manuais.
Definição
Um sistema linear é homogêneo quando todos os termos independentes são nulos: \(Ax=0\).
Observação fundamental
Todo sistema homogêneo é sempre possível: \(x=0\) (a solução trivial) satisfaz \(Ax=0\) para qualquer \(A\).
A pergunta relevante não é “existe solução?” (sempre existe), mas sim: existem soluções não triviais (\(x\neq0\))?
Teorema
Seja \(A\) uma matriz \(m\times n\). O sistema homogêneo \(Ax=0\) possui solução não trivial se, e somente se, \[n > \operatorname{posto}(A).\] Nesse caso, existem infinitas soluções não triviais (há pelo menos uma variável livre).
Definição
O posto de \(A\), \(\operatorname{posto}(A)\), é o número de pivôs (linhas não nulas) na forma escalonada de \(A\).
A nulidade de \(A\) é o número de variáveis livres do sistema homogêneo \(Ax=0\): \[\text{nulidade}(A) = n - \operatorname{posto}(A),\] onde \(n\) é o número de colunas (incógnitas) de \(A\).
\[A=\begin{bmatrix}1&2&-1&3\\2&4&-1&8\\3&6&-2&11\end{bmatrix}\]
Eliminando: \(L_2\to L_2-2L_1\), \(\ L_3\to L_3-3L_1\):
\[\begin{bmatrix}1&2&-1&3\\0&0&1&2\\0&0&1&2\end{bmatrix} \ \xrightarrow{L_3\to L_3-L_2}\ \begin{bmatrix}1&2&-1&3\\0&0&1&2\\0&0&0&0\end{bmatrix}\]
Dois pivôs (colunas \(1\) e \(3\)) \(\Rightarrow\) \(\boxed{\operatorname{posto}(A)=2}\). Como \(n=4\): \(\ \text{nulidade}(A)=4-2=2\).
Da forma escalonada: \(\begin{cases}x_1+2x_2-x_3+3x_4=0\\x_3+2x_4=0\end{cases}\)
Variáveis livres: \(x_2=s\), \(x_4=t\) (pois \(n-\operatorname{posto}=4-2=2\)). Da 2ª equação: \(x_3=-2t\). Da 1ª: \(x_1=-2x_2+x_3-3x_4=-2s-2t-3t=-2s-5t\).
\[ \boxed{(x_1,x_2,x_3,x_4) = s(-2,1,0,0)+t(-5,0,-2,1),\quad s,t\in\mathbb{R}} \]
UFPA - NDAE - PPCA