Diagonalização de Matrizes
Universidade Federal do Pará
Definição
Uma matriz \(A\) (\(n\times n\)) é diagonalizável se existe uma matriz invertível \(P\) tal que \[P^{-1}AP = D\] é uma matriz diagonal.
Teorema 22.1
Uma matriz \(A\) (\(n\times n\)) é diagonalizável se e somente se possui \(n\) autovetores linearmente independentes.
Nesse caso, se \(P\) tem esses autovetores como colunas, então \[P^{-1}AP = D,\] onde \(D\) é diagonal e sua \(i\)-ésima entrada diagonal é o autovalor correspondente à \(i\)-ésima coluna de \(P\).
Retomando \(A=\begin{bmatrix}4&2\\1&3\end{bmatrix}\) (aula anterior): autovalores \(\lambda_1=5\), \(\lambda_2=2\), com autovetores \[v_1=(2,1) \ \text{ (para }\lambda_1=5\text{)}, \qquad v_2=(1,-1) \ \text{ (para }\lambda_2=2\text{)}.\]
Como \(v_1,v_2\) são LI (não são paralelos) e \(A\) é \(2\times2\), o Teorema 22.1 garante que \(A\) é diagonalizável.
\[P=\begin{bmatrix}2&1\\1&-1\end{bmatrix}, \qquad D=\begin{bmatrix}5&0\\0&2\end{bmatrix}\]
Como \(\det P = -2-1=-3\neq0\), \(P\) é invertível, com \[P^{-1}=\begin{bmatrix}1/3&1/3\\1/3&-2/3\end{bmatrix}.\]
Verificação (\(AP=PD\)): \(AP=\begin{bmatrix}10&2\\5&-2\end{bmatrix}\) e \(PD=\begin{bmatrix}2\cdot5&1\cdot2\\1\cdot5&-1\cdot2\end{bmatrix}=\begin{bmatrix}10&2\\5&-2\end{bmatrix}\). ✓
Logo \(P^{-1}AP=D\).
Teorema 22.2
Se uma matriz \(A\) (\(n\times n\)) possui \(n\) autovalores distintos, então \(A\) é diagonalizável.
Retomando \(A=\begin{bmatrix}2&1\\0&2\end{bmatrix}\): autovalor único \(\lambda=2\), multiplicidade algébrica \(2\), mas multiplicidade geométrica \(1\) (autoespaço \(=\mathrm{span}\{(1,0)\}\)).
Observação
Só existe um autovetor LI. É impossível formar \(P\) \(2\times2\) invertível com colunas autovetores de \(A\) — logo \(A\) não é diagonalizável.
Se \(A=PDP^{-1}\), então para qualquer inteiro \(k\ge1\): \[A^k = (PDP^{-1})(PDP^{-1})\cdots(PDP^{-1}) = PD^kP^{-1},\]
pois os termos \(P^{-1}P\) do meio se cancelam.
Para \(A=\begin{bmatrix}4&2\\1&3\end{bmatrix}=PDP^{-1}\) com \(\lambda_1=5,\lambda_2=2\), \(P,P^{-1}\) como antes, obtém-se, para qualquer \(k\):
\[A^k = \frac{1}{3}\begin{bmatrix}2\lambda_1^k+\lambda_2^k & 2\lambda_1^k-2\lambda_2^k \\ \lambda_1^k-\lambda_2^k & \lambda_1^k+2\lambda_2^k\end{bmatrix}\]
Checagem para \(k=1\): \(\frac13\begin{bmatrix}2(5)+2 & 2(5)-2(2)\\5-2 & 5+2(2)\end{bmatrix}=\frac13\begin{bmatrix}12&6\\3&9\end{bmatrix}=\begin{bmatrix}4&2\\1&3\end{bmatrix}=A.\) ✓
Com \(\lambda_1^{10}=5^{10}=9\,765\,625\) e \(\lambda_2^{10}=2^{10}=1024\):
\[A^{10} = \begin{bmatrix}6\,510\,758 & 6\,509\,734 \\ 3\,254\,867 & 3\,255\,891\end{bmatrix}\]
Verificação rápida
\(\det(A)=10\), logo \(\det(A^{10})=10^{10}\). De fato, \(\lambda_1^{10}\lambda_2^{10}=9\,765\,625\times 1024=10\,000\,000\,000=10^{10}\). ✓
\(\mathrm{tr}(A^{10})=\lambda_1^{10}+\lambda_2^{10}=9\,766\,649\), que coincide com \(6\,510\,758+3\,255\,891\). ✓
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