Modelo Médio, Linearização de Pequenos Sinais e Perspectivas de Controle
UFPA — Campus Universitário de Tucuruí
Em regime permanente, no modo de condução contínua (MCC): \[V_o = d\,V_i\]
Nota
Este ganho estático é a mesma relação vista em Eletrônica de Potência para o regulador buck; aqui o interesse é o modelo dinâmico, não apenas o ganho CC.
sympy em ModelagemBuck.ipynb\[ x = \begin{bmatrix} i_L \\ v_C \end{bmatrix}, \qquad u = V_i \]
\[ \begin{bmatrix}\dot{i}_L\\ \dot{v}_C\end{bmatrix} = \begin{bmatrix}0 & -\dfrac{1}{L}\\[4pt] \dfrac{1}{C} & -\dfrac{1}{CR}\end{bmatrix} \begin{bmatrix}i_L\\ v_C\end{bmatrix} + \begin{bmatrix}\dfrac{1}{L}\\ 0\end{bmatrix} V_i \]
A fonte \(V_i\) é conectada ao indutor; a topologia é a mesma de um filtro RLC alimentado.
\[ \begin{bmatrix}\dot{i}_L\\ \dot{v}_C\end{bmatrix} = \begin{bmatrix}0 & -\dfrac{1}{L}\\[4pt] \dfrac{1}{C} & -\dfrac{1}{CR}\end{bmatrix} \begin{bmatrix}i_L\\ v_C\end{bmatrix} + \begin{bmatrix}0\\ 0\end{bmatrix} V_i \]
O diodo de roda livre assume a corrente do indutor; a matriz de estados \(A\) não muda, apenas a entrada é desconectada (\(B_2=0\)).
Ponderando os dois modos pela razão cíclica \(d\) (fração do período em que a chave está fechada):
\[ A_m = d\,A_1 + (1-d)\,A_2 = A_1 = A_2, \qquad B_m = d\,B_1 + (1-d)\,B_2 = \begin{bmatrix}\dfrac{d}{L}\\ 0\end{bmatrix} \]
\[ \begin{bmatrix}\dot{i}_L\\ \dot{v}_C\end{bmatrix} = \begin{bmatrix}0 & -\dfrac{1}{L}\\[4pt] \dfrac{1}{C} & -\dfrac{1}{CR}\end{bmatrix} \begin{bmatrix}i_L\\ v_C\end{bmatrix} + \begin{bmatrix}\dfrac{d}{L}\\ 0\end{bmatrix} V_i \]
Como \(A_1=A_2\) neste conversor, toda a dependência em \(d\) fica isolada em \(B_m\) — resultado característico do Buck (não se repete, por exemplo, no Boost).
Com \(C = \begin{bmatrix}0 & 1\end{bmatrix}\) e \(H_0(s) = C(sI-A_m)^{-1}B_m/d\) (tratando \(d\) como entrada direta, \(V_i\) fixo em 1):
\[ \boxed{H_0(s) = \dfrac{R}{LCR\,s^2 + L\,s + R}} \]
Forma canônica de 2ª ordem, com
\[ \omega_n = \frac{1}{\sqrt{LC}}, \qquad \zeta = \frac{1}{2R}\sqrt{\frac{L}{C}} \]
\(H_0(s)\) ainda não é o modelo de pequenos sinais clássico: falta o ganho \(V_i\) (ou \(D\)) da linearização, e falta a entrada de linha \(v_i\). Os dois só aparecem ao perturbar \(d\) e \(v_i\) simultaneamente em torno do ponto de operação.
Perturba-se simultaneamente entrada de controle, entrada de linha e estados em torno de um ponto de operação CC (letras maiúsculas):
\[ d(t) = D + \widehat{d}(t), \qquad v_i(t) = V_i + \widehat{v}_i(t), \qquad x(t) = X + \widehat{x}(t) \]
com \(\widehat d, \widehat v_i, \widehat x \ll D, V_i, X\) (pequenos sinais). Como \(A_1=A_2=A\), a não linearidade do Buck está inteira no produto \(d(t)\,v_i(t)\) que força o estado:
\[ \dot{x} = A\,x + B_1\,\big[\underbrace{D V_i}_{\text{CC}} + \underbrace{D\widehat v_i + V_i\widehat d}_{\text{CA (1ª ordem)}} + \underbrace{\widehat d\,\widehat v_i}_{\text{2ª ordem (desprezado)}}\big] \]
O termo \(\widehat d\,\widehat v_i\) é o produto de duas pequenas quantidades — desprezá-lo é exatamente a aproximação de “pequenos sinais” (linearização de 1ª ordem).
Anulando a parcela CC (\(\dot X = 0\)), \(0 = AX + B_1 D V_i\), resolve-se para o estado de equilíbrio:
\[ X = \begin{bmatrix} I_L \\ V_C \end{bmatrix} = \begin{bmatrix} D V_i / R \\ D V_i \end{bmatrix} \]
Nota
\(V_C = D V_i\) recupera exatamente o ganho estático \(V_o = dV_i\) já conhecido, e \(I_L = V_C/R\) é a corrente média de carga — confirmação de consistência do modelo.
Descartado o termo CC (cancela com \(\dot X=0\)) e o termo de 2ª ordem, resta a dinâmica linear de pequenos sinais:
\[ \boxed{\dot{\widehat{x}} = A\,\widehat{x} + B_1 V_i\,\widehat{d} + B_1 D\,\widehat{v}_i} \]
Duas entradas independentes, \(\widehat d\) e \(\widehat v_i\) — o sistema ganha uma segunda função de transferência que o modelo direto (com \(d\) como entrada única) não tinha.
Por superposição (sistema linear), com \(\widehat y = \widehat v_C = C\widehat x\):
Controle → saída (\(\widehat v_i=0\)) \[ G_{vd}(s) = \dfrac{\widehat v_C(s)}{\widehat d(s)} = V_i\,H_0(s) \]
Linha → saída (\(\widehat d=0\)) \[ G_{vg}(s) = \dfrac{\widehat v_C(s)}{\widehat v_i(s)} = D\,H_0(s) \]
onde \(H_0(s) = \dfrac{R}{LCR\,s^2+Ls+R}\) é a mesma função de transferência “direta” do slide anterior.
\(H_0(s)\) não estava errada — era \(G_{vd}(s)/V_i\) (equivalentemente \(G_{vg}(s)/D\)): o modelo direto já continha a dinâmica correta, só faltava o ganho DC da linearização.
| Trabalho | Foco | Contribuição relevante |
|---|---|---|
| Dilger (2018) (Dilger, 2018) | Fonte chaveada Buck para laboratório de graduação | Projeto físico completo (dimensionamento, driver, malha de controle) |
| Ricardo (2025) (Ricardo, 2025) | Conversor Buck: dimensionamento, controle e otimização de modelos | Comparação de modelos e estratégias de controle |
| Erickson & Maksimovic (Erickson & Maksimovic, 2001) | Eletrônica de potência, referência clássica | Formalização do método SSA e do modelo de pequenos sinais |
TCC de Dilger (2018), UTFPR: consulte o repositório institucional da UTFPR (o PDF não é versionado aqui).