Sistemas de Controle I
Universidade Federal do Pará
A maioria dos sistemas reais tem mais de dois polos (e possivelmente zeros). A resposta ao degrau de um sistema de ordem \(n\) com polos distintos é uma soma de modos:
\[y(t) = K + \sum_{i} A_i\,e^{-\sigma_i t} + \sum_{j} B_j\,e^{-\sigma_j t}\cos(\omega_{d,j} t + \phi_j)\]
Critério de dominância (regra prática)
Um par de polos complexos conjugados é considerado dominante se os demais polos têm parte real pelo menos 5 vezes mais negativa:
\[\text{Re}(s_{\text{outros}}) \leq 5\times\text{Re}(s_{\text{dominante}})\]
Sistema completo (4ª ordem) vs. aproximação por polos dominantes (2ª ordem)
O sistema de 4ª ordem tem um par de polos dominantes com \(\zeta\omega_n \approx 0{,}5\) e dois polos rápidos adicionais — a resposta de 2ª ordem captura bem a forma geral, com pequeno desvio no início.
Quando um zero está muito próximo de um polo não-dominante, seus efeitos se aproximam de um cancelamento mútuo — o resíduo associado àquele modo torna-se pequeno e sua contribuição à resposta é desprezível.
Tip
Cancelamento (quase) exato de polo-zero é uma técnica de projeto de controladores (ex.: controlador PD ou PI cancelando um polo lento da planta) — veremos isso na Aula 10.
Warning
Cancelamento nunca é exato na prática (incerteza de modelo) — polos e zeros próximos, mas não idênticos, ainda geram uma resposta lenta de pequena amplitude (“cauda longa”).
Efeito de um zero adicional (no semiplano esquerdo) na resposta ao degrau
Se o zero estiver no semiplano direito (\(s=+a\), \(a>0\)), o sistema é dito de fase não-mínima:
\[G(s) = \frac{\omega_n^2(1 - s/a)}{s^2+2\zeta\omega_n s+\omega_n^2}\]
Important
Zeros de fase não-mínima limitam fundamentalmente o desempenho alcançável por realimentação — nenhum controlador elimina o undershoot inicial sem violar restrições físicas.
Efeito de um polo real adicional na resposta ao degrau
| Elemento adicional | Efeito sobre \(M_p\) | Efeito sobre \(t_r\) | Efeito sobre \(t_s\) |
|---|---|---|---|
| Polo real (SPE), próximo | ↓ reduz | ↑ aumenta | pode aumentar |
| Polo real (SPE), distante | ≈ nulo | ≈ nulo | ≈ nulo |
| Zero real (SPE), próximo | ↑ aumenta | ↓ reduz | pouco efeito |
| Zero real (SPD, fase não-mínima) | undershoot inicial | — | pode aumentar |
Tip
Regra de bolso: polos atrasam, zeros adiantam a resposta — e ambos têm mais efeito quanto mais próximos estiverem do eixo imaginário em relação aos polos dominantes.
\[e(t) = r(t)-y(t) \qquad\qquad e_{ss} = \lim_{t\to\infty} e(t) \overset{\text{TVF}}{=} \lim_{s\to 0} s\,E(s) = \lim_{s\to0}\frac{s\,R(s)}{1+G(s)}\]
Warning
TVF só vale se \(sE(s)\) tiver todos os polos no SPE — a malha fechada precisa ser estável.
Important
Em malha aberta, \(K\neq1\) é o erro. Em malha fechada, a realimentação corrige boa parte do erro — mas, como veremos, não todo.
\[G(s) = \frac{K\prod_i(s+z_i)}{s^N\prod_j(s+p_j)}, \quad p_j\neq0\]
\(N\) = nº de integradores puros em \(G(s)\) = tipo do sistema.
| \(N\) | Degrau | Rampa | Parábola |
|---|---|---|---|
| 0 | finito | \(\infty\) | \(\infty\) |
| 1 | 0 | finito | \(\infty\) |
| 2 | 0 | 0 | finito |
| Constante | \(\displaystyle\lim_{s\to0}\) | Entrada |
|---|---|---|
| \(K_p\) | \(G(s)\) | degrau |
| \(K_v\) | \(sG(s)\) | rampa |
| \(K_a\) | \(s^2G(s)\) | parábola |
Aplicando \(e_{ss}=\lim_{s\to0}\dfrac{sR(s)}{1+G(s)}\) a cada par (tipo, entrada) com \(R(s)=A/s\), \(A/s^2\), \(A/s^3\):
| Tipo | Degrau (\(A/s\)) | Rampa (\(A/s^2\)) | Parábola (\(A/s^3\)) |
|---|---|---|---|
| 0 | \(\dfrac{A}{1+K_p}\) | \(\infty\) | \(\infty\) |
| 1 | \(0\) | \(\dfrac{A}{K_v}\) | \(\infty\) |
| 2 | \(0\) | \(0\) | \(\dfrac{A}{K_a}\) |
Tip
Cada célula é só o TVF aplicado uma vez — a tabela não é uma lista para decorar.
\[\text{Tipo 0}\qquad K_p = K \qquad e_{ss,\text{degrau}} = \frac{1}{1+K}\]
Erro ao degrau encolhe com \(K\), mas nunca chega a zero (tipo 0)
\[\text{Tipo 1}\qquad K_v = \frac{K}{p} \qquad e_{ss,\text{degrau}} = 0 \qquad e_{ss,\text{rampa}} = \frac{p}{K}\]
Erro ao degrau é sempre zero; erro à rampa encolhe com \(K\), mas nunca some (tipo 1)
Tip
Para zerar o erro, não basta aumentar \(K\): é preciso aumentar o tipo — um integrador a mais, isto é, ação integral (PI/PID, Aula 10).
Se \(H(s)\neq1\) (ex.: ganho do sensor), o erro é sobre o sinal atuante \(E(s)=R(s)-H(s)Y(s)\) — redesenhe com realimentação unitária equivalente antes de aplicar \(K_p\), \(K_v\), \(K_a\).
O TVF e as constantes de erro só são válidos se a malha fechada for estável — caso contrário \(e(t)\) não converge e “erro de regime permanente” não tem sentido.
Critério de Estabilidade (definição)
Um sistema LIT é estável (BIBO) se e somente se todos os polos da malha fechada estão no semiplano esquerdo aberto (\(\text{Re}(s) < 0\)).
Antes de calcular \(e_{ss}\), é preciso verificar a estabilidade — e, quando há um ganho \(K\) ajustável, descobrir para quais \(K\) a malha fechada é estável. Esse é o tema da próxima aula: Estabilidade e Critério de Routh-Hurwitz (Aula 7).